Marrocos

16/03/2026

A entropia é uma grandeza fisica que mede o grau de desordem de um sistema.

Interessante essa palavra, você nao acha?

Desordem

Fui atravessada por ela assim que pisei nas ruas de Marrakech, de primeira me assustei com a quantidade de informações, a acontecimentos, cheiros e… cores!

Que lugar colorido

Não me parece tao assustador agora, afinal, quem nao melhor que uma latino americana para estar acostumada ao caos?

Talvez eu sentisse falta

Tal qual o meu Saara na vespera de Natal

Ou do Carnaval

Uma das sensações mais fortes que tive durante a viagem foi no deserto. Ele me lembrou o Atacama e também as dunas tão presentes no Brasil

Nao tem jeito, eu aprendo, e viajo, por associação. Vejo o mundo pelos olhos do meu passado. O que ja vi, vivi e senti, tentando traduzir para o que conheço até me tornar fluente nesse novo idioma. E depois, poder associa-lo com um outro e outro novo idioma.

As dunas do Sahara me fisgaram como o corpo dourado de uma mulher deitada contra a luz, a lua cheia dando bom dia para o sol que nascia.

Era como se eu estivesse no meio, no meio de que?

Do infinito

Ali eu completava 30 anos de idade, entre duas beldades da natureza perfeita: a lua e as curvas femininas.

O que para mim pode parecer um completo nada, um lugar cheio de ausencias, para Jamal, o nosso guia, é tanto.

The Dades Valey um oasis de tamaras que cresce no meio da terra árida, mas para além do nome gringo, esse é um lugar de esperança, comunidade e orgulho da cultura Amazir. Onde o Jamal aprendeu mais de 3 idiomas, a tocar guitarra e leva centanas de turistas para conhecer de forma tão intima seu vilarejo.

A cidadezinha de casas construidas com argila e adobe passam despercebidas aos olhos desatentos no horizonte. Parece até que querem se esconder, mas ali eu encontrei uma nova perpectiva, uma outra realidade. E me permito adicionar mais essa no meu hall de associações.

As pessoas no Marrocos sao generosas, toda viagem que faço agradeço por aqueles que cruzaram meu caminho. Sinto reciprocidade e acredito que isso faça parte da sincronicidade de quem se permite estar em movimento. O Universo retribui de forma abundante.

E em falar nele, é importante saber interpretar os seus sinais. E depois de muitos, entendi que não deveríamos ir a Chefchaouen. Não fomos e passamos mais tempo em Fez, tempo suficiente para eu me apaixonar por uma das cidades mais antigas do país.

A cidade medieval ainda habitadado mais antiga do mundo esta aqui. E ela tem cheiros característicos: especiarias com sujeira. E brincar de se perder pelas ruas estreitas e labirinticas da medina parece uma boa ideia, tudo aqui transpira tradição: as ceramicas e mosaicos, o açougue de rua, os banhos hammam e o curturme.

Chauara Tanneries é forte em diferentes aspectos. O primeiro é inevitavel, obvil e esperado. O cheiro. Mas ate isso me surpreendeu, não é proveniente das peças de couro cru expostas ao ar livre, e sim do escremento de pombo, usado no processo.

Eu sei, quem iria imaginar?

O contraste do forte odor com a beleza instigante das cores vibrantes dos tanques de tingimento gera em mim um desconforto.

Um desconforto hipnotizante que nao me faz querer ficar ali, mas também nao me deixa ir embora.

No meio desse impasse, então, o terceiro ponto, que poderia ter potencial para desempatar o indecisão em que me encontro se não me deixasse tao intrigada. Os tanques sao propriedades familiares, uma herança passada há mais de mil anos.

Uma profissão herdade de seus ancestrais para o resto da vida.

Minha espinha arrepia.

A perspectiva de fazer a mesma coisa, sem poder de escolha, me aterroriza.

É preciso imaginar um cenário de sorte e não fardo. A herança de trabalho no curtume mais antigo do mundo pode ser o orgulho de alguns.

Me vejo novamente presa, encarando os tanques coloridos e igualmente fedidos do Chauara Tanneries. Levo o ramo de hortela fresco que seguro até o nariz, inspiro aliviada seu cheiro.

Marrocos foi um baque, mais do que eu poderia imaginar ou ja houvera falar.

Eu quasevia o sorriso de satisfaçao dos comerciantes quando eu entrava no jogo da negociação para valer. As negociações se acirravam, o tom da conversa subia e quando fechavam negócio, apertavam a minha mão “foi um prazer fazer negocio com você”.

Marrocos me fez entender o poder que temos literalmente na palma das mãos. A força do trabalho manual, o tanto que é possivel criar, produzir e fazer acontecer. Sem atalhos.

Nós, seres humanos de verdade. Assim, cru, sem maquinas e IAs.

Eu acho que o que minha breve passagem pelo Marrocos, esse país tão diverso, me mostrou no fim das contas foi a potencia da união, do senso de comunidade.

Por volta das 13h as sirenes chamavam para o segundo Salá, dezenas de pessoas se movimentavam até a mesquita mais proxima. Igualmente dezenas de pares de sapatos espalhados nas entradas das mesquitas.

E como não mulçumana me abstenho a observar tudo por fora, não por falta de interesse, eu não posso entrar na mesquita. Durante a saída da ala feminina, vejo mulheres conversando e se comprimentando, de volta e prontas ára seguir seu dia normalmente.

Encontram as amigas, levam as filhas ou netas e socializam.

Um habito que ja não faz mais parte da rotina, faz parte delas.

É certo que a segunda lei da termodinamica diz que o grau de desordem de um sistema é sempre crescente. O universo tende ao caos.

E no meio do caos, o Marrocos se mostra como uma caixinha de surpresa. Tal qual a beleza dos riads escondidos por tras das paredes milenares da medina.

A sincronicidade garante que as partículas se encaixem .

Certas coisas nao precisam ser otimizadas.

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