Pare de querer ter tudo de uma vez só

é em movimento que encontro as peças perfeitas para mim

Pare de querer ter tudo de uma vez só

é em movimento que encontro as peças perfeitas para mim

Os dedos ágeis tentam acompanhar a velocidade dos pensamentos, que vem e se transformam em palavras, frases, texto. Às vezes, não tão coeso nem tão bem redigido. 

Mas tudo bem, aqui dentro também não é assim. 

E assim eu começo levantando um tema: sobre roupas e abrir espaço no armário. 

Ocasionalmente, vem uma vontade de fazer uma limpa no guarda roupas, sabe? Desapegar do que não me serve mais, viver com menos e mais simples. 

O clean, básico e minimalista tende a ser o meu estilo. Mas confesso que também flerto com o divertido, chamativo e ousado. Não tenho um estilo definido, ou ainda não o descobri, preciso experimentar, me aventurar em novas texturas, estampas e modelagens.  

E ai, quando aceito que posso sim misturar tudo e ter um estilo próprio, vem a vontade de ter tudo isso agora. Já pesquisei as peças de roupa que quero e suas cores, como elas vão conversar entre si e quais combinações fazer. Só falta comprar.  

Mas, que chato seria estar aberta a tantas opções e ter tudo de uma vez só, sem vivenciar o processo e a história de escolha daquela peça.

Por exemplo, há uns anos atrás eu coloquei na cabeça que precisava de novos acessórios. Comprei alguns brincos, aneis, cordões e pulseiras em uma loja. Eu adoro eles, mas imagina, na última vez que fui pra um date eu estava toda arrumada (eu diria emperequetada) e o menino elogiou meu anel. Eu agradeci e disse que também gostava muito dele, havia comprado de uma senhora no deserto do Atacama. Ele achou incrível e perguntou do outro anel: era da minha avó e mudava de cor de acordo com seu humor – era a história que eu e minha irmã tínhamos ouvido. 

Então perguntou do outro. Ah, esse eu achei, em algum lugar que não lembrava.  

Ele riu e dizendo não ser possível me perguntou do 4° anel: esse último eu havia comprado em uma loja de shopping, o que não tira a sua beleza. 

Nesse dia eu tbm usava uma gargantilha que comprei de um hippie na chapada diamantina, na minha primeira viagem sola, e eu adoro falar isso quando a elogiam. 

Percebe? 

E isso me fez refletir. 

Meu estilo, seja ele clássico ou extravagante, se constrói com o que eu vivencio, experimento e pego para mim no meio do caminho. Eu não vou comprar as peças que me faltam e me fechar ao novo. 

A beleza de me vestir é muito mais sobre aceitar que os itens perfeitos para mim vão chegar na hora certa, de acordo com a minha caminhada.  

Não tem um início, não tem um fim. 

Os meus acessórios comprados no shopping ainda são sim usados, mas não tenho como negar que os com história são meus preferidos. 

Frequentemente eu perco esse tipo de item, e muitas vezes eu deixava de usá-los para não correr esse risco. E uma coisa que aprendi é que às vezes eu tenho que perder para abrir espaço para o novo entrar. Se eu perdi meus aneis, então certamente um monte de novos aneis estão me esperando para serem encontrados. 

Esse texto não é sobre roupas e itens de moda. 

Mas poderia ser também.  

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