A Redoma de Vidro

Sylvia Plath

A Redoma de Vidro

Sylvia Plath

Coloquei como uma das metas do ano ler mais. E, para não deixar isso no vago, resolvi colocar um número que parecia de bom tamanho: 12 livros.

Desde que ganhei meu Kindle — há 4 anos — acabei voltando aos mesmos tipos de leitura que tinha quando abandonei o hábito no fim da adolescência: leituras leves, romances na maioria. Se fossem filmes, provavelmente seriam comédias românticas.

Mas na vida adulta descobri que meu estilo de filme é outro: drama.

Muito movida pelo espírito de fofoqueira, comecei a ir atrás de recomendações que não podia ignorar. Como termina essa história? Por que esse livro está no hype? O que tem esse título? O que é que essa autora tem?

E assim, nesse ano, tenho me permitido explorar gêneros, autores e estilos que antes eu provavelmente nem consideraria.

Compartilho aqui os livros que gostei, que me marcaram, tiraram meu sono, me deixaram longe do celular — e que eu leria de novo.

Se for para acompanhar, pega seu cafezinho.

O livro começa de uma forma até leve, mas intrigante, e logo no início fiquei muito curiosa para entender onde aquela história ia dar.

A leitura é fácil e durante a narrativa a gente acompanha o presente da personagem, a Esther, mas, ao mesmo tempo, ela vai trazendo lembranças do passado. Essas memórias ajudam a entender quem ela é e como chegou até aquele ponto da vida.

fiquei me perguntando por que eu não conseguia mais cumprir as minhas obrigações até o fim. Isso me deixou triste e cansada. Então me perguntei por que também não conseguia deixar de cumprir minhas obrigações até o fim […]

A história vai ficando mais densa, e é possível acompanhar a progressão da personagem até um fundo do poço emocional. Não existe um ponto exato em que isso acontece — o livro mostra muito bem essa transição da ansiedade para a depressão.

Desde o início, ela já traz reflexões com as quais eu me identifiquei muito. Mesmo nos momentos em que se considera “louca”, ainda assim existem pensamentos muito lúcidos, muito humanos.

“Sempre imaginei que […] eu estaria segura e consciente de tudo o que viria pela frente […]. Tudo o que eu via diante de mim, no entanto, eram pontos de interrogação.”

As reflexões do livro parecem simples, até básicas, principalmente para quem está no início da vida adulta, ali na casa dos 20 anos, lidando com dúvidas sobre identidade, futuro e escolhas.

Algo que também me chamou atenção é que a personagem traz um tom ora prepotente, ora inseguro, talvez como resposta à sensação de estar presa dentro de si mesma.

“Talvez o esquecimento, como uma nevasca suave, pudesse entorpecer e esconder aquilo tudo. Mas aquilo tudo era parte de mim. Era a minha paisagem.”

“Estava começando a me acostumar com aquilo tudo. Se eu ia cair, que fosse abraçada aos meus pequenos prazeres, pelo máximo de tempo possível.”

No fim, sinto que o livro não entrega uma mensagem fechada. Ele pode ser interpretado de formas diferentes, dependendo muito de quem está lendo e de como cada um escolhe olhar para a trajetória da personagem.

Quando a gente pesquisa sobre a vida da autora, muita coisa começa a fazer sentido, e fica a dúvida: quanto de Esther é, na verdade, Sylvia Plath?

“Era como se o que eu quisesse matar não estivesse naquela pele ou no leve pulsar azul sob o meu dedão, mas em outro lugar mais profundo e secreto, bem mais difícil de alcançar.”

Um livro que me fez refletir, principalmente sobre essa fase de construção de identidade, as incertezas e a forma como a sociedade, especialmente para mulheres, pode intensificar estados depressivos mesmo em mentes tão brilhantes.

“O que uma mulher vê em outra que ela não vê num homem? A dra. Nolan ficou em silêncio, então disse: — Ternura. Aquilo calou a minha boca.”

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