Ontem fui ao show do Juanes, um cantor colombiano que conheço desde os 11 anos de idade, quando uma de suas músicas foi tema da novela Páginas da Vida. Anos depois, eu ouvia suas músicas enquanto me preparava para minha primeira viagem pela América Latina. Em Roma, eu descobri que o Juanes é colombiano, da cidade de Medellín, que nem o Sebastian, quando escolhemos uma música dele para cantarmos juntos no karaokê.
E ontem, no show, eu vi e senti tanta a energia latina: colombianos, chilenos, argentinos, brasileiros, porto-riquenhos, mexicanos… E quando Juanes entrou cantando sua primeira música, que, na verdade, eu nem conhecia, eu senti do fundo da minha alma à superfície da minha pele, o lado de dentro e o lado de fora ressoar.
A música tem esse poder sobre mim, e provavelmente também sobre aqueles que se permitem sentir a sutileza de seu toque.
Sim, a música me encosta, passa pelo meu corpo, como uma brisa ou uma ventania. Me arrepio, me aprumo, fecho os olhos, ou, olho para o céu, e ali me reduzo.
Transpiro, respiro e repito a melodia no ritmo dela, seja com a voz, com o corpo ou com a alma. A música preenche cada espacinho oco dentro do meu corpo e eu não preciso nem pensar para dar o próximo passo: pega a minha mão, me conduz e me leva flutuante para lugares, épocas, pessoas e memórias.
A música me emociona, me faz mais forte, me leva ao fundo do poço e também me traz de volta. Me faz lembrar que não posso fugir do sentir, afinal, ela é, por completo, um emaranhado de sentimentos.
Com a música, assim como na vida, sinto tudo, e então, me sinto viva.