Sabe, é difícil se sentir feia quando se está plenamente feliz. Daquela felicidade desatenta que nem lembra que um dia vai acabar. Apenas é.
É difícil se sentir feia quando se está agradecendo ao próprio corpo por te levar a lugares extraordinários. Quando a mente está ocupada demais resolvendo problemas que um dia você sonhou em ter.
Me sinto linda quando sou corajosa, destemida e forte. Quando crio, choro e persisto.
É difícil se sentir feia quando a mente está presente ao corpo, preenchendo a própria vida de grandiosos pequenos momentos, rituais, memórias e rotinas.
É dificil se sentir feia quando não tenho espelhos, não me comparo e não tenho telas ao meu redor. Me sinto pequena quando diante de algo tão maior. Seja no Vale do Pati ou nos Alpes Albaneses, as montanhas lembram: sua aparência já não importa tanto.
É fácil se sentir bonita quando rodeada de amor daqueles que já conhecem a essência e não ligam muito pelas mudanças que certamente virão.
E finalmente, quando você a encontra, por baixo do cabelo, das tatuagens, das roupas e maquiagem, fica difícil se sentir feia.
Beleza deveria ser verbo: a gente conjuga vivendo.
Hoje, um pouco antes de eu clicar em “publicar” esse texto acima, eu abri meu bloco de notas antigo. Engraçado que justamente quando eu escrevia sobre beleza, dei de cara com isso aqui, que escrevi cerca de 3 anos atrás:
Tenho me sentido estranha. Parece que não me reconheço mais, me olho no espelho, vejo meu rosto, cabelo, meu corpo. Não parece comigo.
Me sinto feia.
Não me reconheço mais. Inteligente, corajosa, esperançosa? Não me vejo mais.
Me sinto fraca.
Tenho saudades da companhia, casa cheia, lanche da tarde e conversar.
Ver filme e comentar.
Pedir japonês para mais de um
Me sinto vazia, esquecida, sozinha
Me sinto só
E no meio disso tudo, apesar do caos aqui de dentro. Olho pro Zuko e ele me vê igual, me trata igual, me ama igual.
Eu sei que ainda estou aqui.
Eu espero, do fundo do coração, que você possa se sentir linda também.